Desengavetados, Escritor de Gaveta, Revoadas

Soneto a alguém…

Queria alguém que sentisse minha falta, que quando se desse conta estivesse pensando em mim.

Alguém que sonhasse comigo.

Que quisesse passar os minutos de seu dia ao meu lado, que se importasse de verdade com a minha companhia.

Que se alegrasse ao saber que estou feliz, e chorasse junto comigo.

Alguém que me entendesse, reconfortasse e não julgasse.

Que jamais de magoaria, pois faria de tudo para não me perder.

Não sei se existe alguém assim, não sei se consigo acreditar.

No fundo, acho que já me bastaria alguém que me fizesse acreditar.

Queria alguém que então surgisse para me resgatar.

Será que algum dia vou me permitir confiar? Me entregar de coração?

Ou essa armadura, a tanto tempo colocada, mais pesada a cada novo dia, já faz parte de mim? Está unida à minha pele, aos meus nervos, ao meus ossos.

Talvez.

Talvez seja melhor, pois quando se permite sentir é preciso confiar, e confiança é um pedaço de carne, nervos e ossos expostos. É um pedaço vulnerável e fraco que você expõem.

E quando alguém vê um pedaço vulnerável só quer se aproveitar.

Testar até onde você aguenta a dor; sem se preocupar quem vai juntar os pedaços, ou se realmente vai aparecer alguém…

As pessoas insistem em jurar que vão estar ao seu lado quando você precisar, mas a verdade é que elas não vão.

~ 2014

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